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  250 Anos de História  
           
    As origens | O Alvará Régio | Vida e Obra | Porto um Clássico
Vinho de Reis | 250 anos de História
 
           
    As Origens

A primeira referência escrita de que se tem conhecimento e ligada ao nome "Vinho do Porto", com referência ao Vinho do Douro exportado pela Alfândega do Porto, data dos finais do ano de 1678. Entre 1680 e 1715, a expansão e crescimento das exportações foi notável, tendo passado das 800 para as 8.000 pipas e atingindo em 1749 o expressivo número de 19.000 pipas. Para esse incremento muito contribuiu o espírito mercantil revelado pelos negociantes ingleses da época, radicados na cidade do Porto. A eles se deve, para além da expansão comercial, a própria descoberta do "Vinho do Porto", que resultou de uma série de sucessivas experiências e circunstâncias felizes, ao adicionarem aguardente aos vinhos Dourienses, com o intuito de os preservar nas longas travessias marítimas.

Os comerciantes da época aperceberam-se com surpresa de que os comuns vinhos do Dourienses, que pecavam pela sua aspereza e adstringência, ao casarem com a aguardente adicionada perdiam a sua acidez excessiva, amaciavam-se no paladar e os seus aromas eram consideravelmente realçados.
 








 
   
O Tratado Luso-Saxónio de 1703 (Metween) acordava tarifas aduaneiras preferenciais ao Vinho do Porto vendido em Inglaterra em consequência do embargo comercial imposto por aquele país à França. O orgulho britânico inflamara-se e beber Vinho do Porto era mais do que um luxo ou prazer- um verdadeiro acto patriótico. Conta-se mesmo que o Almirante Nelson, antes da Batalha de Trafalgar, teria desempenhado o plano de batalha no tampo de uma mesa do seu navio com um dedo molhado em Vinho do Porto.
 
           
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    O Alvará Régio

Aos 10 de Setembro de 1756, por Alvará Régio de El-Rei D. José I, sob os auspícios do seu Primeiro-Ministro, Sebastião José de Carvalho e Mello, foi instituída a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto-Douro, também denominada Real Companhia Velha. Formada pelos "principais lavradores do Alto-Douro e homens Bons da Cidade do Porto, à Companhia foi confiada a missão de sustentar a cultura das vinhas, conservar a produção delas na sua pureza natural, em benefício da Lavoura, do Comércio e de Saúde Pública".

De entre os inúmeros serviços prestados pela Companhia à causa pública, destaca-se como o mais notável, devido à sua enorme importância, a chamada "Demarcação Pombalina da Região do Douro", levada a efeito entre 1758 e 1761 pelos Deputados da Junta da Administração da Real Companhia Velha.
Mercê esta medida de grande alcance económico, foi delimitada a região dos vinhos de Feitoria do Douro, que é a mais antiga região demarcada do mundo.
 







 
    A linha de actuação da Companhia, caracterizada por uma legislação de grande rigor e controlo, lançou sólidos alicerces para uma política que muito prestigiou o Vinho do Porto.
Na verdade, aos preços ruinosos, anteriores à fundação da companhia, sucederam-se, impostos por esta, preços justos, que regendo-se pelos seus estatutos deveriam ser "capazes de sustentar com a reputação do vinho o granjeio da vinha, de modo que, bem remunerado, o comércio recompensasse a lavoura, e tudo previsto com tanta ponderação, que não se impossibilitasse o consumo pela carestia, nem pelo barateio se abandonasse a cultura".
As exportações atingiram o seu melhor nível, alcançando as 20.000 pipas em 1810.
O Vinho do Porto alcançava a fama.
 
           
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    Vida e Obra

Em 1781, a Real Companhia Velha levou os seus vinhos aos lábios imperiais de Catarina da Rússia, através de grandes carregamentos em navios fretados para o efeito, iniciando assim a navegação Portuguesa para os portos do Báltico e as permutas comerciais com aquele país.
Como consequência das acções da Companhia as exportações dos afamados vinhos da Região Douriense experimentaram um considerável e sucessivo aumento.

Durante as invasões francesas (1809) as tropas de Napoleão requisitaram os vinhos da Real Companhia Velha, que assim faziam parte da ração dos soldados Franceses.
Quase ao mesmo tempo (1811), Lord Wellington e as suas tropas consumiam também os vinhos da Real Companhia Velha, destacando-se um fornecimento de 300 pipas, feito através dos seus armazéns da Régua, ao exército então estacionado em Lamego.
 



 
           
    Durante os séculos XVIII e XIX navios carregados com Vinho do Porto da Real Companhia Velha partiram para o brasil onde a Companhia detinha o exclusivo do fornecimento dos vinhos do Alto-Douro. Nos anos de 1851/52, a Companhia possuía entrepostos comerciais para os seus vinhos em quase todos os portos do mundo sob a protecção das missões diplomáticas Portuguesas.

A Companhia detinha também o exclusivo de fornecimento de vinhos aos taberneiros da cidade do Porto, que no ano de 1756 eram apenas 95.
Para fazer face a esta enorme expansão do seu comércio, a Companhia teve que mandar construir diversas fragatas de guerra para proteger a Navegação Portuguesa dos piratas Argelinos que vagueavam ao largo da costa Portuguesa.
Para o ensino dos respectivos tripulantes, a Companhia criou no Porto, em 1762, a Aula de Náutica, mais tarde convertida em Real Academia do Comércio e Marinha foi transformada na Academia Politécnica do Porto que está na origem da actual Universidade do Porto.
 
           
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    Porto um Clássico

Conhecido pelo nome da cidade de onde é exportado, o Vinho do Porto foi comercialmente descoberto no séc. XVII pelos comerciantes ingleses, que espalharam a sua fama por todo o mundo.
Desde então, o Vinho do Porto não parou de ganhar consumidores e novos mercados, verificando-se actualmente um consumo anual de 120 milhões de garrafas a nível mundial. As vendas de Vinhos do Porto estão porém muito concentradas na Europa Ocidental e em países com tradições no consumo de Vinho.

O principal mercado de Vinho do Porto é a França, absorvendo 2,9 milhões de caixas (32,5%), seguido pela Bélgica, com 1,7 milhões de caixas (19,4%), e a Holanda, com 1,2 milhões de caixas (13,7%). O mercado nacional representa 1,4 milhões de caixas e o Reino Unido, 1,2 milhões de caixas. Outros mercados importantes incluídos nos dez melhores são os Estados Unidos, a Alemanha, Dinamarca, Itália e Espanha. Entre as diversas categorias de Vinho do Porto existem, também, diferentes estilos que variam de acordo com a técnica de lotação e do processo de envelhecimento.
 






 
    Por outro lado, há várias maneiras de consumir Vinho do Porto: como aperitivo, digestivo ou vinho de sobremesa. E, muito embora a forma mais popular de consumo seja como aperitivo, o Vinho do Porto é reputado como o "melhor vinho de sobremesa do mundo". Mas deve referir-se também que os Vinho do Porto é (sobretudo os vinhos velhos e as categorias especiais) um digestivo por excelência.  
           
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    Vinho de Reis

O Vinho do Porto tem sido aclamado e elogiado como nenhum outro vinho do mundo e, por esta razão, foi afirmado nas Cortes Europeias que o Vinho do Porto é o Rei dos Vinhos- Vinho de Reis. Quer seja reivindicado como uma criação Portuguesa, uma descoberta Inglesa, ou uma paixão Americana, a personalidade distinta do Vinho do Porto e o seu carácter inimitável, colocam-no entre as bebidas de mais classe do mundo. O Vinho do Porto é, por definição, um Vinho generoso e encorpado, produzido na Região do Douro- a Região Demarcada de Vinhos mais antiga do mundo.
 


 
   
Produzido a partir de castas Portuguesas, tradicionalmente utilizadas na região, o seu processo de vinificação é caracterizado pela adição de aguardente vínica ao mosto em plena fermentação.
Esta operação deixa o Vinho com a doçura natural da uva e um sabor a frutos maduros, ao mesmo tempo que lhe aumenta a graduação alcoólica para 19/20º.
 
           
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    250 anos de história

No ano de 2006, a Real Companhia Velha celebra 250 anos de existência e de actividade ininterrupta ao serviço do Vinho do Porto.
Para trás, fica o registo de uma história fabulosa e de um passado gloriososo. Para o futuro, existe a vontade de manter a elevada qualidade dos seus produtos e a confiança numa Companhia onde o rigor e a visão de fazer ainda mais história são uma preocupação constante. Desde a sua instituição, por Alvará Régio de El-Rei D.JoséI, em 10 de Setembro de 1756, muitos outros Reis reinaram em Portugal, sendo a importância e o valor da Real Companhia Velha bem demonstrados através dos valiosos serviços prestados à comunidade, assim como pelos privilégios majestáticos concedidos por D.Maria I, D.João VI, D.Pedro IV, D.Maria II e D.Pedro V, Soberanos Protectores da Companhia.

Para além do facto, evidente, de que poucas Companhias tenham existido durante tanto tempo, especialmente no sector dos Vinhos, o que torna a Real Companhia Velha única no género é a maneira como a sua própria história está intimamente ligada à história do Vinho do Porto e do próprio País.
 







 
           
    Durante mais de um século, entre 1756 e 1865, a Real Companhia Velha desempenhou um papel relevante na produção e comércio do Vinho do Porto, tanto como Organismo Regulamentador como na promoção do próprio sector, pelo que se pode afirmar, irrefutavelmente, que a história da Companhia é, praticamente, a história do Vinho do Porto.

Desde os seus primórdios, as actividades da Companhia foram direccionadas para a defesa e promoção do prestígio do Vinho do Porto - o produto número um da exportação do país, naquela altura. De facto, a importância do Vinho do Porto para a economia portuguesa, entre os meados e os finais do séc. XVIII, era tal que, em 1799, o Vinho do Porto representava mais de 50% das exportações portuguesas.

Em 7 de Dezembro de 1865, por Alvará Régio do Regente D.Fernando, é declarada livre a exportação através da barra do Porto de todos os vinhos produzidos em Portugal, pelo que a Companhia perdeu os seus privilégios majestáticos, tornando-se uma Companhia meramente Comercial e a operar no mercado livre de Vinho do Porto, continuando porém, a desenvolver e a promover a extraordinária reputação do seu nome e prestígio dos seus vinhos em todo o Mundo.
 
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