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Terminada a vindima, lavados os cestos, fechadas as adegas, o
frio vem ocupar o lugar do agradável e quente Outono. É então
que o jovem Vinho do Porto inicia o seu estágio, ganhando em estrutura
e complexidade. Na Primavera seguinte, é tempo de abrir as Adegas e iniciar
o caminho para as seculares caves da Real Companhia Velha em Vila Nova de Gaia,
situada em frente ao Porto, precisamente na margem oposta do Rio Douro.
Esta viagem era feita, outrora, nos históricos "Barcos Rabelos".
Era uma viagem longa e tumultuosa pelo leito de um rio que nunca se deixou domar.
Mas era absolutamente necessário que o Vinho do Porto respirasse os ares
de Gaia.
Uma das particularidades do Vinho do Porto é ter uma Região Demarcada
para a sua produção e também uma zona vocacionada para o
seu envelhecimento - o entreposto de Vila Nova de Gaia.
A proximidade marítima confere-lhe condições climáticas
que são determinantes no processo de envelhecimento do Vinho do Porto,
caracterizado pela evolução da cor e do aveludar no paladar, e que
consiste num processo de oxidação natural, uma misteriosa forma
de "respiração" através da porosidade da madeira,
provocando a precipitação da matéria corante.
Com o decorrer dos primeiros anos, ao jovem Vinho do Porto, retinto, de carregada
cor púrpura com nuances violeta sucede um Porto "Ruby", de cor
vermelho vivo, evocando a pedra preciosa do mesmo nome.
Mais tarde, com o avanço do tempo, o vermelho vivo perde a sua intensidade
e esbate-se, dano lugar a um Vinho do Porto aloirado, com nuances de topázio,
próprio de um "Tawny".
No que respeita aos Vinhos do Porto Brancos, a evolução da cor é,
precisamente, a oposta dos Tintos. Assim como o envelhecimento, o Vinho do Porto
Branco escurece, extremando-se de uma leve cor palha, enquanto jovem, para um
sombrio dourado velho, quando envelhecido.
Nas caves da Real Companhia Velha e no silêncio dos seus vestutos armazéns,
o Vinho do Porto repousa em cascos de madeira nobre, o trabalho secular executado
por hábeis tanoeiros que têm servido a Companhia ao longo de muitas
gerações.
Ali adormecido numa paz única, as pipas e os balseiros estão como
que perdidos no tempo..., 10, 20, 30 anos.... que importa! O tempo necessário
para que cada vinho atinja o seu ponto exacto de maturação. |
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